sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

PAPO FIM DE TARDE

TERÇA-FEIRA, 14 DE JULHO DE 2009

PAPO FIM DE TARDE

PAPO FIM DE TARDE, PROSA DE COMEÇO DA MANHÃ


Finalzinho de tarde, uma brisa típica de Imperatriz, estávamos, Lílian e Gizele, falando de quê? Dessa aventura que é trabalhar com pessoas tão parecidas conosco: caretas, não caretas, solitários, coletivos demais, jovens, já vividos, enfim, gente como a gente, que sofre, que quer respeito, que tem direitos, que tem deveres, que precisa lidar todos os dias com seus erros e acertos. Essa é a nossa praia! Abordar a necessidade de significação e espaço junto à figura do outro.

Refletindo sobre esse percurso deveras singular do caps ad, mergulhamos numa breve viagem pela história da saúde mental de Imperatriz.

No principio, um grupo de pessoas cheias de idéias e de conceitos e Antônia, uma corajosa psicóloga frente a um desafio, trabalhar com pessoas com sofrimento psíquico no serviço público baseado na Reforma Psiquiátrica.

Primeiro era uma bolinha, ambulatório, atendimento discreto. Depois, ela foi rolando e surge o primeiro Caps de Imperatriz, Caps II Renascer. E a bola continuou girando. Eis que surgiu o Caps ij. E a bola gira, gira, a vida continua, a gente cresceu e veio o NAISE. A bola parou? Não. Em 03 de julho de 2008 a bola girou novamente e é inaugurado o Caps ad. E a bola gira! Por que ela gira? Porque ela é o mundo, e o mundo não pára.

Um ano depois, nesse fim de tarde, estamos aqui, nesse dedinho de prosa falando sobre o percurso do AD, nossas estórias, nossos passos e descompassos, perdas, ícones, desafios, novas necessidades.

Nesse gira gira refletimos sobre as estórias. No começo, um atendimento ambulatorial aos dependentes químicos no pioneiro Caps II. A ele, muito obrigada! Muito obrigada também ao Caps ij pela participação na construção do Projeto do Caps ad. O tempo passa, a demanda existe, se mostra, a equipe cresce, se articula e nasce o AD com nada menos que 60 usuários. Logo nos primeiros passos – descompassos. Como agir? Proíbe ou não proíbe? Fuma ou não fuma? Revista ou não revista? Ah! Fala sério! Tempo de des-construir. Estudar, conversar, se despir de conceitos prontos, escutar, experimentar, endurecer, flexibilizar ... Crescer dói. Perder assusta! Doze meses, 5 falecimentos de usuários. Perdemos pra violência, para a desistência. Lidar com a impotência nos uniu.

Um ano de estória, muitos anos de luta, muitas figuras significativas, incontáveis até, que passaram, que ficaram, que virão, enfim, que norteiam as bases desse trabalho.

Falando de agora: temos mais de cem usuários, uma equipe multidisciplinar, linhas transversais de trabalho e muitos, muitos desafios: o grupo cresceu, a casa diminuiu, a bola girou e mais uma vez a necessidade de des-construir. Reorganizar grupos prontos, redefinir projetos terapêuticos, extender o horário de atendimento até às 21:00h, fomentar a implementação dos Serviços Hospitalares de Referência para Álcool e Drogas, implantar o projeto de Redução de Danos, ufa! Precisaremos de mais gente!!!!!!

Por tudo isso, e tudo que esse serviço representa, pelo dia de hoje, nosso primeiro aniversário, nossos primeiros passos, nos colocamos enquanto um espaço que é de todos e expressamos agora todo nosso contentamento em saudar esse auditório que nos diz que é possível, que faz sentido, que vale a pena.

Por quê? Porque a bola gira e o tempo não pára!




Texto de Abertura do I Encontro Municipal sobre álcool e outras drogas realizado pelo Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas Girassol de Imperatriz – Caps ad Girassol

Autores: Gizele Cerqueira e Silvia Lílian Chagas

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